
Tomo de Onula
Fabula Ultima

Fabula Ultima
Bem-vindos a um mundo fraturado, onde a suspeita envenena as mentes. Aqui, conjurar é um convite à fogueira. **Magos, clérigos, bruxos e feiticeiros** são alvos de pavor e hostilidade diária; o povo não esqueceu que os resíduos da magia corromperam a terra. Essa aversão molda a sociedade e a narrativa de sua jornada: ser um conjurador é caminhar eternamente a um passo da forca, marginalizado pelo medo.
A política desmorona em um jogo cruel de opressão. No epicentro desse império arruinado, há um trono ocupado por um soberano invisível. Ninguém jamais o vê, mas suas ordens são seguidas com devoção cega. Sussurra-se pelas vielas que a cada banquete suntuoso realizado a portas fechadas, seu vigor e poder crescem, sustentados por apetites que a plebe não ousa sequer imaginar.
Nas sombras do poder, titereiros manipulam o fluxo de ouro e as artes fúnebres. O mais perigoso deles — um antigo lorde pálido das trevas — não os aguarda em um trono distante. Ele prefere caminhar furtivamente ao lado de vocês, sorrindo na escuridão, acompanhando cada um de seus passos de muito perto.
Entretanto, uma chama desperta no subterrâneo. Inspirados por ideais que ecoam a queda de antigas monarquias em guilhotinas, a resistência obstinada de Canudos e os manifestos que unem trabalhadores, os oprimidos estão despertando. Eles compreenderam uma verdade absoluta: o povo não precisa de salvadores para defendê-lo; eles precisam apenas de organização. A engrenagem da insurreição já gira silenciosamente.
Neste caos, não há onde se esconder. Os sagrados esquadrões de caçadores noturnos também sangram e falham. Vocês mesmos já provaram do amargor desta era ao perderem o seu porto seguro, aquele posto em que depositavam total confiança. A ordem ruiu e a segurança é apenas uma ilusão.
Caminhem com cuidado. O verdadeiro perigo raramente se revela à luz do dia.
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