
No Comply - Issue Zer∅
Slugblaster

Slugblaster
Trecho retirado do editorial do Issue Zer∅, um novo zine que tem circulado entre adolescentes. Propriedade da Resgate.

Firmeza. Antes que vocês malucos colem pra falar merda no meu feed: É, EU TÔ LIGADO. Eu vi sim esses boards novos com "assist" de IA e correção de movimento. Vários picos onde a gente dava rolê antigamente estão ficando cada vez mais lindões, com iluminação, banheiro, ambulância, toda a segurança que alguém precisa para andar de skate sem se preocupar em descascar total. Maneiro né?
Pelo menos minha mãe tá achando isso tudo ótimo.
Então sim... TÁ UMA BOSTA.
Toda line que eu vejo sair desses lugares é uma igual a outra, tudo arrumadinho e com rota otimizada por algoritmo, as tricks todas idênticas, sem alma, sem emoção. E o slogan deles? “Preserve sua autenticidade e mantenha a performance a um milhão™”. Legal, meu pau na sua mão. Autenticidade é o caralho.
Por aqui a gente tá chamando esse rolê aí de cleanblasting.
E tipo… Não é essa fita de parecer um cara velhão metendo um gatekeeping “Hurr Durr antigamente era melhor, hoje vocês são nutela…”. Porra, eu tenho 14 anos! Não tenho um antigamente meu. Só tô falando a verdade: Tá um lixo tudo isso.
Tanto que tem uma galera querendo fazer as coisas diferentes, mais analógicas: Shape de maple, board com rodinha e lixa. Ou pegando os hovers modernos e hackeando pra arrancar essa porcaria de IA. Cada board maravilhoso com motor ultramagnético reaproveitado de 10 anos atrás, solda feita de qualquer jeito pra segurar uns mods que se pá tão violando todas as normas de segurança que você pode imaginar.
E não é só no board. Esse zine que tá na sua mão? É. Xerox. Os vídeos que a gente tá fazendo? Foda-se a estabilização e correção de cores por IA. O negócio é tremido, cheio de ruído, o som estourado e péssimo.
Quem liga? A gente voltou a se divertir, finalmente.
E aliás… Lembram do Dreno?
Aquele pico com uns rails todos detonados onde teve aquela vez que um moleque passou vela demais e a mina saiu decolando de ponta cabeça? Tinha também uns gaps antigravitacionais que deixavam a parada incrível? E que a maioria parou de colar porque uma centopéia elefantoide destruiu metade do pico… Então. Vão reformar o lugar. Ou, na verdade… Pior. Vão cleanar o lugar. Vai ter segurança, tudo homologadinho lindo, câmeras da Resgate, seguranças, iluminação de primeira, patrocínio da Viper, equipamento de segurança obrigatório na entrada e chip de correção de quedas enfiado em todos hovers a força. Vai ficar lindo o lugar. Ou seja. VAI FICAR UMA MERDA.
Então nesse fim de semana a gente vai ter a última chance de ver o lugar na merda que ele é. Vai ser foda. Traz seu hover, seu skate, patinete, patins, tênis sei lá. Só chega com nois. Se tiver câmera, traz também.
Do seu chapa querido, Lupa.

Slugblaster um RPG sobre ser adolescente e fazer coisas extremamente idiotas em outras dimensões com seus amigos.
Miracolina é uma cidadezinha sem graça onde nada acontece, com exceção de ser um lugar onde o tecido interdimensional é tão fino que adolescentes são capazes de atravessar portais e irem parar em mundos alienígenas cheios de perigo, criaturas gigantes e ruínas fantásticas para dar um rolê.
E o “Slugblasting” nasceu a partir daí: Skate. BMX. Patins. Parkour. Hoverboards. Gambiarra tecnológica. Video parts. Música. Gangues. Identidade. Movimento. Amizade. Desamizade. Pais preocupados mandando mensagem a cada 30 minutos querendo saber onde você está. E você, um adolescente olhando pra um buraco enorme em um shopping center tomado por folhagem amazônica no meio de um mundo que é um mar de plasma vermelho e então pensar:
“Será que eu encaixo um kickflip pulando esse vão?”
O Slugblasting cresceu demais. No começo, eram só patrocinadores e marcas grandes no mercado. Atletas Pro e campeonatos eram uma parada aceitável, e legal de assistir.
Mas aí a coisa piorou: Boards começaram a sair equipados com IA, com cálculo de linha (rota), estabilização de manobras, correção de erros em tempo real. Os antigos picos (os lugares) começaram a ser transformados em atrações controladas com monitoramento da Resgate. A proposta era transformar lugares hostis em lugares seguros. Mas isso logo evoluiu para uma forma de deixar esses picos comercialmente “exploráveis”.
Enquanto nas redes sociais, uma garotada começou a viralizar fazendo linhas impecáveis nesses picos, na rua e no underground uma contracena começou a surgir: Uns moleques andando com shape de maple e de marfim, hovers hackeados e cultura DIY. Zines passando de mão em mão como objetos físicos, crews se formando às margens da sociedade, evitando o que eles estavam chamando de “Cleanblasting”.
E agora, vocês jogadores, fazem disso tudo o que bem quiserem. Não existe uma história principal esperando vocês: Essa cena está em movimento e vocês são adolescentes nos seus 14, 15, 16 anos encarando esse multiverso de possibilidades. Slugblaster é um sistema player-driven, onde os jogadores decidem que tipo de corre querem fazer. O grupo desbrava a aventura de diferentes formas dependendo do que eles querem. Existe uma infinidade de possibilidades, dentre:
Serem amigos do Lupa e parte da turma que está fazendo a Issue Zer∅
Terem uma banda de punk que toca em festas clandestinas de mundos alienígenas
Adolescentes querendo buscar uma carreira Pro no Slugblasting
X-9's do lado da Resgate que querem pegar esses adolescentes infratores
Apenas curtir, andar de hover, tomar porradas e explodir gosmas em outros mundos

As regras são leves. Quando há risco, você rola um dado 🎲d6.
🏆 6: Sucesso, com toda glória!
💥 4-5: Deu certo de verdade verdadeira, mas alguma coisa aconteceu...
1-3: Lascou-se.
E isso resume quase tudo, é o coração do jogo. Tem benefícios que podem dar dados adicionais, recursos pra aumentar o impacto das ações, você pode tomar porradas, fazer manobras, melhorar seu equipamento, ganhar fama entre crews, brigar com seus pais e até mesmo com seus próprios colegas de equipe! Tudo isso aí pode aparecer por causa da mecânica e do roleplay.
Cada sessão (episódio) alterna entre duas fases:
Corre: Portais entre multiversos, monstros, fugas, manobras de skate, festas, bandidagem, filmagens, decisões que vão do ruim ao péssimo.
Intervalo: Escola, família, problemas da vida, você ir pra uma oficina com um ferro de solda todo arregaçado fazer uma melhoria no seu equipamento enquanto Bring Me The Horizon tá estourando no seu ouvido.
Slugblaster, no fim das contas, pode ser um jogo onde escapar de um monstro interdimensional é a parte fácil. A parte difícil é explicar pra sua mãe porque você chegou 2 da manhã em casa todo coberto de gosma.
Não. NÃO. NÃOOOOOO.
A cultura skate é uma referência forte nessa campanha. Os jogadores provavelmente vão se deparar com DIY, zines, graffiti, prancheta, blackbook, video parts e filmers, crews, hip-hop, punk, hardcore.
Mas você não precisa saber NADA de skate ou da cultura pra chegar junto. E se alguém te disser o contrário, essa pessoa só tá sendo chata mesmo! (Afinal de contas, eu tenho certeza que se um especialista em guerra com armas medievais ouvisse a gente falar como um bárbaro gira o machado 360 graus no ar antes de acertar um inimigo em D&D ele ia se morder todinho por dentro and I think it’s beautiful). Invente seus nomes de manobras, fale gírias sem sentido, remodele e reinvente a cena!
🪶 Pra quem quer montar personagens com motivações e dores reais ao invés de builds.
🏃🏽➡️ Pra quem curte jogos com pegada slice-of-life.
🎲 Pra quem curte jogos leves, e cinematográficos.
🛹 Pra quem gosta de cultura, identidade e estilo como parte essencial do jogo.
🥸 Pra quem acredita que jogar com personagens adolescentes pode ser pateticamente divertido e ao mesmo tempo profundamente emocional.
🐛 Pra quem quer dar um kickflip sobre uma centopéia quântica.

• Sessão Zero essencial para construir o mundo, personagens, equipe e definir o corre.
• Entre 6 e 10 sessões.
• Mundo no Foundry VTT (por conveniência), mas acessar é totalmente opcional: O jogo é majoritariamente teatro da mente, e você pode ter sua ficha e rolar dados no Discord.
• Mesa pra quem não é vacilão e sabe tratar os colegas como seres humanos.
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