
Do Mar ao Caos, do Caos à Fúria
Werewolf: The Apocalypse 5th Edition

Werewolf: The Apocalypse 5th Edition
Estamos em Recife, uma das capitais mais importantes da história do Nordeste e do Brasil. Mas não se deixem enganar pela sua cultura, música, cor, arte e paisagens litorâneas. Não viemos até aqui pelas coisas boas que a cidade oferece.
A história que estamos prestes a contar está ligada a acontecimentos muito mais recentes em relação aos 489 anos da capital e consideravelmente mais trágica que os assuntos citados: É aqui que se encontra a praia urbana mais perigosa do mundo, com 64 pessoas atacadas por tubarões em 30 anos, sendo dentre estas 26 vítimas fatais.
É claro que eu estou falando Praia de Boa Viagem, a praia que o Porto de Suape destruiu. O maldito porto foi uma obra feita sem nenhum estudo de impacto ambiental, onde um ecossistema inteiro foi destruído, ocasionando com que uma geração de locais não pudessem tomar banho na sua própria praia.
Naquela época, poucos quilômetros dali, um matadouro municipal despejava enormes quantidades de sangue, gordura e vísceras no Rio Jaboatão. E o Jaboatão, como todos os rios fazem cedo ou tarde, seguia seu caminho até o mar. Sangue na água, manguezais destruídos, rotas migratórias alteradas, recifes danificados e tubarões se aproximando da praia. Talvez sejam apenas coincidências, mas começo a enxergar coincidências demais.
O Porto de Suape tornou-se um dos principais complexos industriais e logísticos do Brasil. Sua pedra fundamental foi lançada em 1974, e as operações portuárias começaram em 1983. Desde então, o complexo não parou de crescer. Novos canais foram dragados, terminais foram construídos e sua capacidade de movimentação de cargas continua sendo ampliada. E que se celebre o progresso, celebrem-se os navios, celebrem-se os contêineres, celebrem-se os bilhões movimentados todos os anos, pois o preço para se pagar é barato.
Essa, é claro, é a versão dos homens. Mas nós não somos homens. Nós somos Garou, e sabemos que o mundo não termina onde termina a visão humana.
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