
Russian Roulette
Dungeons & Dragons 5.5e (2024)

Dungeons & Dragons 5.5e (2024)
"Pois, que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?"
— Marcos 8:36
A chuva nunca parece lavar a sujeira daquela rua; apenas faz o asfalto sangrar sob as luzes de neon. Da calçada, eu encaro o colosso erguido contra a noite. Eles o chamam de Russian Roulette. O cartão postal do pecado.
Oficialmente, é a joia da coroa da alta sociedade. Um delírio esculpido em ouro, veludo e vaidade. Dizem que abriga as camas mais macias que o dinheiro pode comprar, onde hóspedes apodrecem em conforto por dias, anestesiados pelo cabaré, pela música, pelo tilintar das fichas e pelo sorriso das dançarinas mais belas que o diabo já desenhou. No papel, é um cassino. Na prática, é um matadouro de destinos. Eu vi homens entrarem lá com a postura de reis e saírem rastejando para a sarjeta, mendigando pelas próprias sombras.
-Eu acendo o último cigarro do maço. A fumaça esconde meus olhos, mas não o que eu sei.
Já cruzei com muita coisa ruim nesta cidade, mas a Russian Roulette não está apenas em um endereço nobre. Quando você cruza aquelas imensas portas duplas, a temperatura cai e a estática toma conta. Qualquer um com o mínimo de faro espiritual percebe - ali dentro, Deus é surdo, mudo e cego. Nenhuma prece cruza o teto. O complexo inteiro foi ancorado numa fratura do plano material — um pedaço de domínio pertencente a algo muito mais antigo, sombrio e faminto. Uma entidade chamada Noar.
Enquanto os tolos afogam suas mágoas em champanhe e acreditam estar vivendo a noite de suas vidas, a casa ganha. Não apenas dinheiro. Cada mentira sussurrada, cada traição, cada grama de luxúria e ganância alimenta as fundações. Noar sorri em algum lugar do abismo, devorando as migalhas.
No térreo, a ilusão é perfeita. Os sommeliers não erram uma safra e a comida é divina. Mas a minha investigação aponta para baixo. Para as entranhas da fera.
Nos subsolos labirínticos, a civilidade termina. Onde o ar cheira a suor frio e cobre, arenas clandestinas lavam o chão com o sangue de desesperados. E as cozinhas ocultas... digamos que, se a sua moralidade for flexível o bastante e o seu paladar for doentio o suficiente, aqueles chefs renomados servirão cortes que nunca vieram de um animal.
Mas o que me trouxe a este lado da cidade esta noite não foram os canibais engravatados ou as rinhas humanas. Foi a Sala VIP. Foi o canto da sereia da Last Chance. A Roleta da Última Chance. Sete casas. O tudo ou nada definitivo.
A promessa de recuperar cada centavo, cada joia, cada vida desperdiçada na noite. Mas a casa sempre tem seus termos. Você pode ter sua última aposta de volta, claro — se não se importar em deixar um braço ou uma perna como gorjeta.
-Piso na ponta do cigarro, apagando a brasa contra a calçada molhada. Puxo a gola do meu sobretudo. O letreiro de neon pisca uma última vez antes de eu dar o primeiro passo em direção à entrada principal. Dizem que a curiosidade matou o gato.
Mas neste ramo, se dizem que um lugar está roubando as almas da cidade, você tem que entrar lá e girar a roda. Que alguém lá em cima me proteja. Se é que, a partir daquela porta, sobrou algum pedaço de céu para olhar por mim.
Sete Nuvens no Céu em uma Noite Estrelada
Alto Harpista de Evernight
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